Ensino integral reduz abandono escolar e alcança 43 mil alunos em Mato Grosso do Sul

O ensino em tempo integral vem ganhando espaço na Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul e atualmente atende cerca de 43 mil estudantes em 213 escolas. Além da ampliação da carga horária, o modelo reúne acompanhamento pedagógico, alimentação e atividades complementares durante o dia.

Uma das experiências mais antigas está na Escola Estadual Waldemir Barros da Silva, na Vila Moreninha I, em Campo Grande. A unidade, que atende aproximadamente 350 estudantes entre 15 e 17 anos, esteve entre as primeiras a adotar o formato, em 2016, durante a gestão do então governador Reinaldo Azambuja.

Segundo os dados apresentados pela escola, o índice de abandono, que chegava a 20%, caiu para 2% já no primeiro ano após a implantação do ensino integral. Atualmente, a taxa está abaixo de 1%.

Para as famílias, a permanência dos adolescentes na escola durante todo o dia também interfere diretamente na rotina de trabalho dos responsáveis.

Moradora do Jardim Canguru, Sandra Regina, de 45 anos, deixa todas as manhãs o filho de 16 anos na Waldemir Barros antes de seguir para o trabalho, no bairro Rita Vieira. Aluno do 1º ano do Ensino Médio, o adolescente escolheu estudar em período integral e já planeja cursar Direito.

“Ele é um menino muito estudioso, pelas notas excelentes. Gosta daqui”, conta a mãe.

Sandra conhece a escola de outra época. Ela também foi aluna da unidade, quando o ensino ainda funcionava em apenas um período e precisava conciliar estudo e trabalho.

“Naquela época, eu tinha que trabalhar e estudar. Estudava à noite e trabalhava de dia. Falei para ele aproveitar e estudar enquanto a gente pode dar o estudo, porque ele precisa se preocupar com o trabalho”, relembra.

Escola também muda rotina das famílias

Para o contador Márcio Espindola, de 52 anos, ter o filho durante mais tempo dentro da escola significa acesso a atividades educativas, alimentação e acompanhamento enquanto os pais trabalham.

“Ao invés de ficar em casa, muitas vezes no videogame ou vendo televisão, ela está aqui na escola, tendo o cuidado, a alimentação e o ensino que precisa”, afirma.

Márcio leva o filho para a escola diariamente e, no fim da tarde, a esposa busca o adolescente. Segundo ele, a comunicação entre a unidade e a família também contribui para a sensação de segurança.

“Qualquer coisa que acontece, eles entram em contato conosco. Eu acho excelente”, relata.

Gláucia dos Santos Filho Machado, de 46 anos, tem duas filhas matriculadas na Waldemir Barros e destaca principalmente as atividades realizadas além das disciplinas tradicionais.

“Eu acho muito positivo. O ensino em tempo integral contribui muito para o desenvolvimento delas. O importante é manter esses projetos, porque eles ocupam esse tempo e fazem diferença para os alunos”, afirma.

Inclusão e preparação para o futuro

Para Lindalva dos Santos, mãe de um estudante autista de 17 anos, a permanência durante todo o dia na escola também representa uma ferramenta de inclusão e desenvolvimento.

Ela acompanha diariamente o filho até a unidade e avalia que o modelo auxilia especialmente famílias nas quais os responsáveis precisam trabalhar durante o dia.

“Eu acho ótima a escola em tempo integral porque hoje em dia as crianças estão praticamente perdidas. Os pais precisam trabalhar e não dão aquela atenção que a criança precisa. Então, deixar na escola o dia inteiro já é uma ajuda”, afirma.

Modelo começou em 2016

A implantação do ensino integral na Rede Estadual começou em 2016, durante o governo Reinaldo Azambuja. Entre as primeiras unidades contempladas estavam Waldemir Barros da Silva, Lúcia Martins Coelho, Maria Constança de Barros Machado, Emygdio Campos Widal, Amélio de Carvalho Baís e Severino de Queiroz, todas em Campo Grande.

O programa teve continuidade na gestão do governador Eduardo Riedel e atualmente está presente em 213 escolas, atendendo aproximadamente 43 mil estudantes em Mato Grosso do Sul.

Candidato ao Senado, Reinaldo Azambuja (PL 222) afirma que pretende defender, caso eleito, a busca por recursos federais para ampliar o ensino integral e fortalecer a educação profissionalizante.

“Precisamos ter um horário estendido para ter uma melhor qualidade da educação para os alunos. Esse é o modelo que eu defendo, com o aluno mais tempo dentro da escola, trabalhando com mais tecnologia, mais inovação, com os laboratórios de ciências, com robótica e as salas de informática, em um ambiente seguro e, principalmente, melhorando o aprendizado”, declarou.

Segundo Reinaldo, a intenção é levar ao debate nacional a experiência desenvolvida no Estado. “Se deu certo aqui em Mato Grosso do Sul, tenho certeza de que vai dar certo no Brasil”, concluiu.

Fonte: MS Todo Dia/Por Camila Borges – Foto: Ilustração

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