CAMAPUÃ GASTA COMO SE FOSSE RICA, MAS ARRECADA COMO SE ESTIVESSE EM CRISE
CAMAPUÃ (MS) – No primeiro semestre de 2026, a Prefeitura de Camapuã comprometeu R$ 75,9 milhões em despesas, enquanto arrecadou apenas R$ 57,6 milhões. O resultado é um descompasso de R$ 18,3 milhões, com a máquina pública andando cerca de 32% acima da receita efetivamente arrecadada.
Mais grave ainda: dos R$ 75,9 milhões empenhados, apenas R$ 46 milhões foram pagos, deixando quase R$ 30 milhões pendurados, empurrados para frente como obrigações futuras.
Na arrecadação, os números são alarmantes. O município previu arrecadar R$ 12,2 milhões de ISS, mas em seis meses entrou apenas R$ 43 mil, o equivalente a 0,35% da meta anual. O IPTU, previsto em R$ 3,2 milhões, arrecadou somente R$ 46 mil.
Enquanto isso, receitas que deveriam ajudar a sustentar investimentos simplesmente não apareceram. A chamada Receita Patrimonial, estimada em R$ 2,89 milhões, continua zerada. Os convênios da União e do Estado, tanto correntes quanto de capital, somando mais de R$ 8 milhões previstos, também não registraram entrada de recursos.
Para completar, junho registrou a pior arrecadação do semestre, com apenas R$ 5,2 milhões, enquanto janeiro concentrou um pico de R$ 23,8 milhões em empenhos.
Traduzindo para a realidade: a Prefeitura assumiu compromissos muito acima do dinheiro que efetivamente entrou no caixa, apostando em receitas e repasses que não se concretizaram. Quando a arrecadação não acompanha a despesa, a conta não desaparece — ela apenas é empurrada para frente. E, cedo ou tarde, alguém terá de explicar como se gasta tanto quando o dinheiro simplesmente não chegou.
Fonte: Blog Marco Aurélio Lima – Fotos: Reprodução

