Alta das passagens aéreas leva governo a estudar corte de impostos

Depois de reduzir o PIS/Cofins do diesel, o governo federal estuda também cortar tributos para evitar que os preços das passagens aéreas subam. A guerra no Irã tem influenciado as cotações internacionais do petróleo, o que reflete no querosene de aviação, o QAV, que é o principal custo das empresas aéreas.

O Ministério de Portos e Aeroportos enviou na terça-feira ao Ministério da Fazenda uma proposta com medidas que seguem a linha já adotada para reduzir o impacto sobre o valor do diesel, mas vai além ao propor ações que reduzam o custo de outros componentes do serviço aéreo.

Não há na nota técnica estimativas dos impactos orçamentários das medidas nem sugestão de como compensar a perda de arrecadação.

A pasta defende a redução do PIS e do Cofins sobre o QAV até o fim do ano, zerar a alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incidente sobre empresas aéreas e reduzir a alíquota de Imposto de Renda que incide sobre o leasing (aluguel) das aeronaves.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, diz que a proposta visa “preservar o equilíbrio econômico?financeiro das empresas, sem interferir diretamente na formação do preço do QAV ou nos sinais de mercado”.

No documento, a pasta afirma que “o aumento da cotação internacional do petróleo tem impactos diretos e significativos sobre o preço do querosene de aviação”.

Custo estrutural

“A alta do petróleo e do QAV eleva o custo estrutural do transporte aéreo; reduz a capacidade de absorção de custos pelas companhias; provoca reajustes tarifários graduais, porém persistentes; e afeta de forma mais severa rotas regionais e mercados menos competitivos. Choques prolongados no preço do petróleo tendem a se traduzir em tarifas aéreas mais elevadas e em menor oferta de voos, com impactos econômicos e territoriais relevantes”, afirma o documento.

São propostas a edição de dois decretos e uma medida provisória. O pacote de medidas deve ser agora avaliado pela Fazenda, que fará a estimativa do impacto orçamentário das medidas e decidirá se a levará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Companhias aéreas internacionais, a exemplo da Scandinavian Airlines e da Qantas, já anunciaram aumentos em suas tarifas. Na Índia, esse aumento já chega a 15%.

No dia 12, o governo federal anunciou medidas para tentar conter a alta dos combustíveis provocada pelo acirramento do conflito no Oriente Médio. O pacote para mitigar o efeito do aumento do petróleo no mercado internacional inclui zerar o PIS e a Cofins sobre o diesel, além do pagamento de subvenção a produtores e importadores.

Para compensar perdas de arrecadação, haverá cobrança de imposto de exportação sobre petróleo e diesel. A ação do governo busca conter danos de um conflito que pode se traduzir em risco eleitoral. A alta do diesel tem capacidade de impactar preços de diversos produtos: afeta desde o valor da passagem de ônibus até o custo do frete, o que eleva preços de alimentos e outros itens.

A estimativa de impacto com as medidas para evitar a alta do diesel é de R$ 6,8 bilhões por quatro meses no caso da redução do PIS/Cofins e R$ 10 bilhões no pagamento de subvenção na bomba, que seriam compensados com os ganhos de R$ 15,6 bilhões com a tributação das vendas ao exterior no mesmo período.

Se as medidas se alongarem até o fim do ano, a conta total sobe a R$ 30 bilhões, compensada na mesma magnitude pelo tributo sobre exportações.

Fonte: Conjuntura Online (Com O Globo – Brasília) – Foto: Pista do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Previous post Voos de carga resgatam da guerra no Oriente Médio os melhores cavalos do mundo
Next post Justiça suspende processos seletivos da Prefeitura de Camapuã após ação do MPMS
Close