Operação da PF lacra lojas no Camelódromo e apreende carga de eletrônicos em Campo Grande

Uma operação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal resultou no fechamento de quatro boxes comerciais no Camelódromo de Campo Grande, na manhã desta quarta-feira, 18 de março de 2026. A ação integra a Operação Iscariotes, que investiga um esquema de contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro e corrupção.

De acordo com o presidente do Camelódromo, Narciso Soares dos Santos, os estabelecimentos lacrados pertencem à mesma empresa, conhecida como “O Barateiro”, além de pontos vinculados a familiares. Um espaço adicional, localizado em um posto de combustíveis próximo ao centro comercial, também foi alvo da fiscalização.

Grande volume de mercadorias apreendidas

Durante a operação, equipes federais recolheram uma quantidade significativa de eletrônicos, que foram acondicionados em sacos e carregados em um caminhão. A movimentação chamou a atenção de comerciantes e frequentadores do local.

Em dois dos quatro boxes, todos os produtos foram retirados. Em outro ponto, foram apreendidos equipamentos como maquininhas de cartão e aparelhos celulares utilizados pela empresa.

“A Polícia Federal informou que se trata de uma ação pontual. Todos os alvos estão ligados ao mesmo grupo empresarial”, afirmou Narciso Soares dos Santos.

Apesar da operação, o funcionamento do Camelódromo foi retomado pouco após a saída das equipes, por volta das 8h10.

As investigações são conduzidas pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delegfaz) e apontam que o grupo atuava na importação irregular de eletrônicos de alto valor, sem documentação fiscal e fora dos controles aduaneiros.

Após ingressarem no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande e em outras regiões, especialmente em cidades de Minas Gerais, muitas vezes ocultos em cargas lícitas.

Local Guides e de cidades

Segundo a Polícia Federal, os envolvidos utilizavam veículos com compartimentos ocultos e estratégias financeiras para disfarçar a origem dos recursos, caracterizando práticas de lavagem de capitais.

Mandados em vários pontos e servidores investigados

Além do Camelódromo, a operação cumpre mandados em outros locais da Capital, incluindo a região do Bairro Universitário, um condomínio de alto padrão no Alphaville e residências de investigados, inclusive de um policial civil no Bairro Pioneiros.

Também houve cumprimento de ordens judiciais em unidades policiais, como a 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande e uma delegacia em Sidrolândia.

Ao todo, a Justiça Federal expediu cerca de 90 ordens judiciais, que incluem:

  • 31 mandados de busca e apreensão
  • 4 prisões preventivas
  • Monitoramento eletrônico de investigados
  • Afastamento de funções públicas
  • Suspensão de porte de arma
  • Bloqueio de bens estimados em R$ 40 milhões

As ações ocorrem em municípios de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, como Dourados, Belo Horizonte, Vespasiano e Montes Claros.

Investigações continuam

A Polícia Federal informou que as investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e aprofundar o mapeamento da organização criminosa.

A empresa citada não se manifestou até o momento. O espaço permanece aberto para posicionamento.

Fonte: Jornal do Estado/Redação – Foto: Divulgação

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