Da rua em Figueirão ao topo da LPF: a trajetória de superação de Myrella Lima no futsal

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Nascida em Campo Grande e criada no interior, a atleta superou a falta de escolinhas femininas e lesões para se sagrar campeã paulista; hoje, enfrenta a jornada dupla entre o trabalho e o sonho no esporte.

Por Rubem Vasconcellos

A história de Myrella de Lima e Souza, 20 anos, é o retrato da resiliência que define o esporte de base no Brasil. Natural de Campo Grande, mas criada em Figueirão, a jovem viu no futsal mais do que um passatempo de infância: encontrou um projeto de vida. “Desde menininha eu sempre gostei de brincar de bola. Jogar na rua com meus irmãos sempre esteve presente”, recorda a atleta, que desde cedo canalizou no esporte o desejo de oferecer uma condição melhor à família.

O desafio da base: jogando entre meninos

Os primeiros passos de Myrella foram marcados pela escassez de estrutura no interior de Mato Grosso do Sul. Até os 14 anos, a atleta não teve a opção de treinar em categorias femininas. “Eu era sempre a única menina no meio dos meninos. Se eu queria jogar, tinha que ser com eles, porque não tinha time nem escolinha feminina”, explica.

Sem referências femininas próximas para se espelhar, Myrella buscou motivação na autossuperação e dentro de casa. Enquanto no âmbito competitivo passava a observar outras atletas, sua maior base de sustentação foi o avô, João Batista. “Eu sempre quis ser melhor do que as pessoas que estavam ao meu redor”, afirma.

O brilho na elite e o título inesquecível

O destaque veio cedo. Aos 15 anos, Myrella já integrava o time adulto de Figueirão, onde era conhecida como a “estrela do time” por sua velocidade e faro de gol. O reconhecimento local abriu portas para o cenário nacional, levando-a ao clube Guerreiras Pinda, em São Paulo.

Foi em solo paulista que Myrella viveu seu ápice técnico: a final da Liga Paulista de Futsal (LPF). Mesmo lidando com lesões no joelho e na coxa, a atleta foi protagonista na vitória por 2 a 1, de virada. Além de marcar um dos gols do título, Myrella foi eleita a melhor em quadra. “Devido a uma nova lesão durante o jogo, achei que não conseguiria continuar, mas voltei no sacrifício. Joguei com coração e alma”, relembra.

Realidade atual: a rotina 6×1 e o cenário regional

Atualmente, o brilho das quadras divide espaço com a dura rotina da vida adulta. Enfrentando uma escala de trabalho 6×1 e ainda em recuperação de uma lesão no joelho, Myrella admite as dificuldades de manter o ritmo profissional. “Me encontro um pouco sem esperanças, sobrando pouco tempo para treinos”, desabafa. Ainda assim, ela mantém o vínculo com o esporte através dos treinos no DEC Feminino sempre que o cronograma permite.

Ao analisar o panorama do futsal em Mato Grosso do Sul, a atleta reconhece evoluções, mas aponta que o caminho ainda é longo. Segundo ela, falta incentivo governamental e maior investimento em escolinhas de base voltadas exclusivamente para mulheres.

“Não ligue para o que os outros falam”

Apesar dos obstáculos, a “menina dos gols” de Figueirão deixa uma mensagem de encorajamento para as novas gerações, focando na blindagem emocional contra o preconceito. “Se você tem o sonho de seguir carreira, faça. Conselho você escuta e absorve o que serve para o seu crescimento. O que não serve, faz o famoso ‘entrou em um ouvido e saiu no outro’”, finaliza.

Fonte: rtv-noticias.com.br (com informações de EsporteÁgil) – Fotos: Arquivo pessoal

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